Enchente no Parana: Famílias perdem tudo com enchente em Morretes

Em Morretes, o bairro de Floresta foi totalmente devastado pela força da água e as pessoas perderam tudo o que possuíam. Por volta das 14h30 os moradores ainda eram retirados de helicóptero pelo Corpo de Bombeiros, uma vez que o acesso por terra ao local é impossível. Pelo menos duas mortes já foram registradas no local e ao menos uma pessoa está desaparecida.
Edileuza Maria do Rocio, uma das pessoas que foi retirada pelo helicóptero, contou que o lugar ficou totalmente devastado. Segundo ela, no lugar onde antes estava sua casa existem agora apenas as marcas da fundação. Ela diz que os vizinhos também perderam tudo. “Lá está um local desolado, não existe mais.”
“A minha casa foi, Floresta inteira foi, eu não tenho mais nada. Só a minha vida”, disse. Segundo ela, apesar do aviso pelos bombeiros de que deveria deixar o local, ela ainda tinha receio de sair de casa. Mas, após insistência acabou deixando a residência e procurou abrigo.
“Se tivesse ficado em casa teria morrido.” Ela conta que várias outras pessoas aguardavam ainda serem retiradas. “Eles começaram pelas mulheres e crianças, mas ainda tem várias pessoas lá”, contou.
Martha
Na comunidade de Martha, as pessoas também tiveram prejuízos severos com a chuva. Na casa de Maria Tereza Alves da Rocha, ela, a filha, o marido e os pais tentavam salvar o que restou dos móveis e limpar a casa, dividindo o trabalho com a tarefa de tornar mais segura uma passagem sobre a ponte na PR-508, cuja cabeceira despencou.
Gerson Klaina/O Estado
Casa de Maria da Rocha, na comunidade de Martha, foi assolada pela enchente.
Para evitar que as pessoas que tentavam utilizar um trecho estreito de terra ao lado do rio para atravessar caíssem na água, eles amarram cordas nas árvores próximas criando um corrimão improvisado sobre a área estreita de terra, única ligação para quem mora na região com a rodovia. No bairro, os moradores estão sem água, energia elétrica e qualquer tipo de comunicação por telefone e precisam sair de casa para tentar encontrar água e enviar informações aos parentes.
Na casa de Maria, as marcas da altura que a água atingiu estavam visíveis nas paredes. Os moradores possuem uma régua de medição que foi completamente coberta pela água e mostra que a enchente chegou a sete metros acima do nível do rio.
Na sexta-feira (11), ela e a filha só foram salvas no início da noite, com a chegada do Corpo de Bombeiros, que fez a retirada por barco. Maria conta que tentava subir os móveis para não perder tudo quando percebeu o aumento no nível de água. “Quando a água subiu foi muito rápido, a água chegou em cinco minutos e levou tudo”, narrou.
Nos galinheiros, os animais mortos denunciavam a velocidade com que tudo aconteceu. Segundo ela, a família, que trabalha com a criação dos animais e lavoura, tentou abrigá-las acima dos galinheiros, mas não foi possível retirar todas a tempo e praticamente a metade dos bichos morreu.
Gerson Klaina/O Estado
Metade das galinhas de dona Maria morreu com a enxurrada.
Os quatro cachorros da família também tiveram que ficar sobre caixas para não morrerem afogados. “Quando a água subiu, eles ficaram com as patas mergulhadas na água, mas conseguiram se salvar”, disse.
Agora, Maria conta que não sabe como ficará sua situação. Com a morte dos animais e a perda de toda sua plantação de maracujá, as fontes da renda da família foram levadas pela correnteza. Até uma mercearia que eles abriram na frente do quintal foi devastada pela chuva e a mesa de sinuca - que eles tinham comprado há pouco tempo para ser fonte de diversão dos vizinhos - foi arrastada para dentro do rio. “Custou três mil reais. A gente tentou salvar amarrando uma corda, mas não conseguiu, a corda arrebentou”, disse.
“A gente vive do sítio, da lavoura e agora a gente não sabe como vai pagar as dívidas. Você tem que tentar salvar alguma coisa, mas a gente não sabe nem o que levar e não tem como tirar nada daqui porque não temos para onde ir", relatou.
Gerson Klaina/O Estado
Lavouras do município de Morretes ficaram encobertas pela água.
 

    
 Com infromação: www.paranaonline.com.br - Karla Losse Mendes

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